quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Carnaval... A melhor festa dentro da maior festa do mundo


A origem do Carnaval antecede à Era Cristã. Tudo começou na Itália, com o nome de Saturnálias - em homenagem a Saturno, o Tem. Com a expansão do Império Romano, as festas foram disseminadas - com bacanais inimagináveis! Será por isso que a festa expandiu-se tanto?

No dialeto milanês, os italianos adotaram a palavra 'Carnavale' que significa 'o tempo que se tira o uso da carne', numa espécie de abuso da carne antes da Quaresma. E o tempo passou...

Conta a 'lenda' que no início do século 20, próximo ao domingo anterior à Quaresma, o baiano 'entrudava' - eram brincadeiras pesadas, onde se jogava balde de água, frutas, areia, etc. Cordões, blocos e a sociedade mais despojada concentravam-se na Baixa dos Sapateiros para fazer manifestações. Os negros, mascarados, molhavam quem estivesse nas ruas, invadiam casas e todos entravam na folia. Na metade do século 18, o Entrudo passou a ser reprimido pela polícia. Nesta época, o Carnaval começou a se dividir em  Carnaval de Salão e  de Rua - dando no que deu!

Na década de 50 que o Carnaval começa a tomar corpo de festa popular; com foliões brincando e se divertindo atrás de carros de som - agora a 'lenda' toma forma real quando uma caminhonete fubica, com alguns aparelhos de som, sai pelas ruas tocando, sem que a população entendesse muito bem o que era aquilo! Dois caras supercriativos, Adolfo Antônio (Dodô) e Osmar Macedo (Osmar), proprietários de uma oficina, decoraram uma Ford 1929, montaram uma fonte ligada a uma corrente de bateria que alimentava alguns alto-falantes, e a dupla de "malucos" saiu no domingo de Carnaval pelas ruas de Salvador arrastando milhares de pessoas. Uma placa identificava o Ford: 'Dupla Elétrica'! Um dia depois, eles convidaram um amigo pra se associar à dupla, surgindo assim o "Trio Elétrico"!  Aí a coisa começou a pegar...

A cada ano que passava, a festa crescia, a população estremecia e a prefeitura começou a promover concursos de rainha, de trios e de outras agremiações. O trio passou a caracterizar o Carnaval da Bahia . Ano após ano, os trios foram se profissionalizando, e até a metade dos anos 70 embora já enormes eram ainda instrumentais.  

Em 1975, Caetano cantou 'Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu' e o Brasil ficou atento àquele tipo de música.  Moraes Moreira, em 1978, canta pela primeira vez em cima de um trio elétrico a música 'Assim pintou Moçambique' - o povo foi à loucura, iniciando-se uma nova fase do Carnaval baiano.  

Mas foi em 1985 que os baianos novamente se surpreenderam com uma nova modalidade de som, ritmo e dança: o Fricote de Luís Caldas fez balançar uma multidão - surgindo aí o Axé. O ritmo alucinante rapidamente se espalhou pelo Brasil. E o Carnaval baiano, que era basicamente de baianos, passou a ser de brasileiros e estrangeiros. A partir de então, novos artistas, músicas, blocos e ritmos surgiram para 'infernizar mais ainda esses festeiros e loucos baianos'. 

O Carnaval da Bahia transformou-se em um espaço múltiplo: hoje reina na terra do Axé, a maior democracia musical do planeta, a diversidade abraçou a música afro, o samba-reggae, pagode, forró, brega, rock, sertanejo, quaisquer tipo de música são tocadas nas ruas de Salvador - não existe nada semelhante no mundo! 

O conjunto da obra, tendo o trio elétrico como ator principal, passou das ruas para os blocos, dos blocos para os camarotes, são adaptações necessárias à renovação, e a criatividade vem dos pés das mulheres - antes era tênis - hoje elas usam plataformas, a elegância predomina, como diz meu amigo, Clínico Bastos.
                       
 Sérgio Belleza, administrador, empresário, consultor e autor dos livros, Caminhado com Walkyria e Ascensão e Queda de um Império Econômico.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Conversa Alheia



Todos condenam aqueles que ouvem as conversas alheias!

Mas não sabem que muitos desses curiosos são, na verdade, vítimas dos conversadores sem coração.

A vítima clássica é o ascensorista que, muitas vezes, fica sem saber o desfecho de um caso de suspense, porque, no clímax, quem conta a história desce do veículo.

Eu fui uma dessas vítimas, ainda que involuntariamente.

Estava me abrigando da chuva, embaixo de uma marquise pública, quando chegou um sujeito já falando ao celular. Dizia:

- Sim, o Auro, a Cristina, o Pedro, o Donizete...
(Deve ser um grupo de amigos, talvez na combinação de um encontro – pensei.)

- Hoje de manhã, eu estive com o Marcos, o Silveirinha e o Glauco. Até falamos sobre a Maria da Penha!
(Reunião de trabalho?)

- Estavam juntos, o Ari, o Meirinho e, como é mesmo o nome dele? Ah, o Ribamar!
(Tá bom, mas o que vocês vão fazer?)

- Exatamente! E também com o Levi, a Abigail, o Clóvis, Marzagão, aquela turma, sabe?
(Pombas! Esse sujeito conhece todo mundo do universo!)

- Também, também, o Tonico e o …
(Tinoco...)

- … Andrelino.
(Errei!)

- Tem também o Cosme eu o …
(Nessa, eu não caio de novo!)

- … o Damião. Lembra dos dois baixinhos que não se largavam?
(Não é o meu dia!)
- E o Deuclídio?
(Ôpa! Esse eu conheço. Não deve existir dois Deuclídios no Brasil!)

- Morreu do quê?
(Pombas! Lá vai minha chance de descobrir a conversa!)

- Não. Ninguém me avisou e olha que eu estive com a Jurandi, o Fausto, a Naiara e a Toninha na semana passada.
(Bem, o de cujus pode ser um mote para eu perguntar ao conversador sobre o falecimento do amigo em comum e puxar conversa, para descobrir do que se trata!)

- Claro, claro! O Antônio Pedro, a Fátima e a Marieusa.
( Esse sujeito vai quebrar as próprias finanças com essa conversa de meia hora ao celular)

- Ah! E o Tertuliano!
(Já ia esquecendo o Terto, heim?)

- O Genaro, o Leco e a Terezinha.
(Eles devem ser gestores da lista telefônica.)

- É só falar com o Miziara, que ele entra em contato com a Ceci, a Verusca, a Manuela e o Tarcísio.

De repente, a chuva amainou e o sujeito saiu correndo para o estacionamento. Sem pode correr atrás dele, eu fiquei sem saber o teor da interlocução.

Um desconhecido, que também estava passando o sufoco da curiosidade, virou-se para mim e disse com um olhar de cumplicidade:

- Ele estava brincado de multidão, né?


Sérgio Antunes de Freitas

domingo, 10 de janeiro de 2016

Receitas da Vó Virgilina

Pintura: Túlio Dias  (http://tuliodiasartes.blogspot.com.br)

No fogão, a avó querida,
Empurrando mais um tição,
Contava-nos sobre a vida,
Sempre com uma lição.

“Para a comida salgada,
De açúcar, uma pitada.
Para os doces em geral,
Uma pitada de sal.”

Da negra panela surgia
O cheiro do requeijão,
Da pamonha, a apologia
Do milho, arroz e feijão.

Em sua rude linguagem,
Recheada de poemas,
Ensinava a fazer o bem,
Mesmo nas coisas pequenas

Dizia que o bom tempero,
Na verdade, é a alegria.
Já nos versos, de doce esmero,
A rima é o sal da poesia.


Sérgio Antunes de Freitas

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Uma nova espécie


A ciência antropológica e a zoológica ainda não classificaram, porém há um indivíduo bastante conhecido de todos, parente do homem, do macaco ou do elo perdido, conhecido por “zoreia”.

O Zoreia sapiens tem todas as características do homem, entretanto, com poder de análise semelhante ao do macaco.

Com todos sabem, há diversos tipos de inteligência: raciocínio lógico, abstrato, memorização, compreensão, autoconhecimento, comunicação, aprendizado, controle emocional, planejamento. Mas, para ser considerada inteligência mesmo, precisa estar acima dos instintos ou comportamentos irracionais.

Uma atitude animal, resultante de condicionamento ou adestramento, mesmo aparentemente raciocinada, não deve ser confundida com a complexidade do pensamento humano.

Muitos zoreias, ao verem um cão ou gato rasparem com as unhas a porta, a fim de que alguém a destrave, para que possam passar, comentam: - Viu? E ainda tem gente dizendo que eles não são inteligentes!

Nesses casos, eu penso assim: de acordo com a filosofia zoreial, dentro de um ou dois anos, algum cachorro deve ganhar o Nobel de química ou física!

O Zoreia trabalha como todo humano normal e tem um instinto perdulário, gosta de gastar dinheiro, preferencialmente, com coisas desnecessárias ou prejudiciais de alguma forma.

Por exemplo, tornam-se baloeiros.

Gastam seus recursos de tempo e de dinheiro, comprando papel, arame, cola, pavio, acessórios esteticamente sofríveis, para fazer um artefato arcaico, que coloca em risco o patrimônio e a vida de pessoas ou causa incêndios em reservas florestais.

E quando algum consegue alguma popularidade em suas reinações, ganhando aplausos dos seus pares, passam a se considerar o rei dos zoreias, andando de cabeça ereta, sorrindo e dando entrevistas professorais aos demais de sua tropa.
Caso semelhante é o dos pichadores urbanos. Fazem garranchos em monumentos, prédios, equipamentos públicos, apenas para sujar, dar prejuízo aos cidadãos e concorrer ao título de melhor zoreia pichador. Seus pais são duplamente vítimas, pois gastam com tintas caras e pagando os impostos que cobrem a difícil limpeza dos prazeres de suas antas-bebês.

A grande característica da zoreice é não ter espírito público. Não evoluíram ainda até o nível dos insetos socialmente organizados, como as abelhas ou formigas. Eles não conseguem pensar em algo que não seja eles próprios ou suas famílias e amigos, em uma característica de defesa grupal, embora egoísta. O máximo de organização social que aceitam é o chamado apadrinhamento ou os esquemas de desvios de dinheiro. E denominam a corrupção, o furto, a enganação, por esperteza, inteligência.

Também, às vezes, são chamados de celebridades! São os zoreias famosos.

Geralmente, um zoreia macho se casa com uma zoreia fêmea e proliferam muitos zoreinhas, aumentando, cada vez mais, o domínio de sua raça em nosso planeta.

Cabe uma ressalva! Na verdade, o coletivo de zoreias não é tropa, como dito anteriormente. Há diversas palavras para definir esses grupamentos: torcida organizada, fã-clube, corporação, colóquio, seminário ou, quando tem bastante peso político, câmara ou conselho.


Um Zoreia sapiens pode ser bonito, rico, famoso, eloquente, ter currículo invejável, além de outras virtudes, mas sempre será um zoreia legítimo.

Sérgio Antunes de Freitas

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Noite Feliz



Noite Feliz...

"Noite feliz! Noite feliz! Oh, Senhor, Deus do amor. Pobrezinho nasceu em Belém, eis na Lapa Jesus nosso bem, dorme em paz, oh, Jesus, dorme em paz, oh, Jesus..." Foi assim que Ivete Sangalo e convidados finalizaram o show beneficente ao Hospital Martagão Gesteira, dia 19/12/2015, em Salvador. Muito emocionante aquele momento de paz, harmonia, solidariedade, especialmente de amor para todos que estavam na Arena Fonte Nova. Assisti pela TV no dia seguinte, traído pelas lágrimas, que escorreram do meu reflexivo rosto.

O Natal é lembrado e comemorado com o dia de nascimento do Menino Jesus, o Filho de Deus Pai. Há controvérsias quanto a data do nascimento de Jesus.

Acredita-se que a festividade do Natal foi oficializada no dia 25 de dezembro porque na Roma Antiga essa data era comemorada como o início do inverno.

Nos primórdios, as festas duravam até 12 dias, porque foi o tempo que os três reis Magos levaram para se deslocar até Belém para entregar a mirra, incenso e o ouro, no dia do nascimento do menino Jesus, Hoje tudo é moderno, inovador e tecnológico: árvores de Natal de todos os tamanhos, formas e efeitos, enfeitam casas, condomínios, prédios, ruas. Uma festa que deveria reunir a família para um momento de reflexão, oração e agradecimento pela vida num ambiente de muito amor, infelizmente foi substituída por grandes encontros de parentes e amigos para troca de presentes, muita bebida e comilança.

Conta a lenda que Papai Noel, aquele velhinho, bonitinho, bonzinho que dá presente a "toda" criança,  foi inspirado num bispo turco de nome Nicolau,  nascido em 280 d.C. Era um homem de coração puro que costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das residências. Aquele bispo hoje é São Nicolau - aposto que poucos sabiam disso.

Comenta-se que, certa noite, Martinho Lutero, caminhava pela floresta na Alemanha, e ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve. As estrelas e a lua no céu deslumbraram ainda mais sua imaginação e ele reproduziu em sua casa, com galhos de árvores, toda a magnífica visão.

Já o presépio, idealizado por São Francisco de Assis, no século XIII, além de representar o cenário do nascimento de Jesus Cristo - os animais, a manjedoura, os reis Magos, seus pais, José e Maria, ajuda a embelezar e iluminar a fé e esperança dos cristão de todo mundo na noite de Natal.

Cronologicamente, o Natal é uma data extremamente importante para o Ocidente, porque marca o ano 1 da nossa história. Passados 2015 anos após o nascimento do Filho de Deus, outro bom filho de Deus, o Papa Francisco, enviou uma mensagem ressaltando que o Natal costuma ser uma festa ruidosa; entretanto, faz-se necessário o silêncio, para que se consiga ouvir a voz do Amor. Porque o Natal é você (somos nós), quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma. O pinheiro, a ceia, a decoração, o sino, a luz, os presentes, o cartão, a música e tudo mais, só somos o anjo do Natal quando conseguimos entoar e cantar uma mensagem de paz, justiça e de amor. Que somos a noite de Natal, quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio recebemos o Salvador do Mundo.

Noite Feliz, noite feliz. Oh, Senhor, Deus do amor...
           
 Sérgio Belleza, administrador, empresário, consultor e autor dos livros, Caminhado com Walkyria e Ascensão e Queda de um Império Econômico.










segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Que vergonha!



Que vergonha!
É uma coisa medonha!
Os poetas disseram bem,
Todo o mundo tem vergonha,
“Só a bailarina que não tem.”

Vergonha de pagar mico
É receio de adolescentes,
Por ser alto, ser nanico
Ou ter roupas diferentes.

Embora seja natural,
Por estetas admirado,
Por conta de falsa moral,
É vergonha ficar pelado!

Até o ladrão sem vergonha
Ao roubar e levar nada,
Esconde a sua peçonha
Em uma lágrima derramada!

Mas há um animal que tortura,
Que assassina com crueldade,
Que mostra da forma mais pura,
O potencial da sua maldade.

Não respeita o seu ambiente,
Mata e maltrata animais;
E por ganância somente
Ou ignorância demais.

De seus olhos, o ódio emana,
É um verdadeiro anti-herói!
Pertencer à raça humana
É a vergonha que mais me dói.

Sérgio Antunes de Freitas