quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Padre Edilberto, o Bom Pastor


Barra do Choça é uma cidadezinha que fica a 36 Km de Vitória da Conquista, Bahia. Uns três quilômetros depois da cidade tem uma fazenda grande e produtiva. Nesta fazenda, o Bom Pastor, padre Edilberto, vislumbrou um pedaço de terra para melhorar o futuro dos seus dependentes químicos - trabalho que fazia há alguns anos em Conquista. Jesus Cristo disse que o Bom Pastor é aquele que dá a vida pelas suas ovelhas; ele conhece suas ovelhas e elas o conhecem. Disse também para amarmos uns aos outros como Ele nos amou e ama. Padre Edilberto é um Bom Pastor e ama ao próximo como Jesus Cristo ama.

Em 1997, com Ocione e Inácio, montamos uma distribuidora em Conquista. Em 2000, Inácio nos pede para ajudar financeiramente um grupo que cuidava de pessoas de rua. Tempos depois, fui com Inácio ver um local que o padre queria para colocar os seus dependentes – 17 hectares de mato. Em agosto de 2002, o projeto louco de um “louco” padre (alguns diziam), tem início a Comunidade Terapêutica Fazenda Vida e Esperança, Cotefave, sociedade civil sem fins lucrativos, tendo como finalidade a recuperação de dependentes químicos.

Durante este período, visitei o projeto três vezes, retornando na semana passada para ver o que era um sonho de um padre. Os “realizadores” de uma distribuidora partiram, e lá apenas um padre que tinha um “sonho”, seus 31 dependentes químicos, 14 funcionários e alguns voluntários.

Na entrada da Fazenda Vida e Esperança, uma árvore morta com algumas covas. Inácio, homem bom e fiel ovelha do Bom Pastor, dirigia calmamente. Paramos o carro e fomos ao encontro do padre. Com um “lava a jato”, ele limpava um tronco de árvore. Todo sujo, recebeu-nos com um belíssimo sorriso e com um ar de sejam bem-vindos, meus filhos. Logo disse: - tudo que vocês veem aqui foi feito aqui. Este tronco vai ajudar a embelezar aquele espaço ali. Vamos que vou mostrar tudo a vocês. Venham conhecer e conversar com alguns deles... 

Quando nos aproximamos dos internos, todos se levantaram, estenderam a mão e educadamente nos cumprimentaram. Alguns falavam, outros olhavam, jogavam dominó, e os que estavam há mais tempo na fazenda, diziam que estavam recuperados e logo iam embora; retornar para família, encarar a sociedade. Pensei que eles estavam ali para se limparem, como se diz. Mas refleti que não era igual à sujeira que estava nas roupas e corpo do padre, mas a sujeira que estava na alma, na vida de cada um daqueles filhos de Deus!

Entre árvores, plantas, jardins, animais, o Bom Pastor feliz nos mostrou o refeitório, Café do Padre que vende algumas coisas, a carpintaria, dormitórios, salão de jogos, sala do psicólogo, psiquiatra, Assistente Social, nutricionista, enfermaria, biblioteca, campo de futebol, acomodações para pais, parentes dos internos... Hoje é referência nacional, disse ele orgulhoso.

Nossa odisseia de amor termina nas primeiras acomodações, barracos velhos, muita humildade, determinação. Entramos numa igreja linda e o padre de Deus contou os detalhes; ficamos reflexivos e na saída disse: - Vocês viram uma árvore morta e um cemitério? - Sim. - Todo dependente que entra aqui, primeiro tem que enterrar o seu passado debaixo daquela árvore morta. Depois passa neste poço aqui, ele vê o fundo aonde chegou!, e só a mão de Deus poderá resgatá-lo. Só depois ele chegará naquela árvore viva - foi resgatado -, e uma nova vida ele “poderá” reiniciar! Enguei o choro, e lágrimas encheram os meus olhos novamente!

Por fim, fomos a uma casa novinha que o padre ganhou (doação) de um empresário – como tudo lá. Uma voluntária limpava e reclamava da desarrumação, o padre sorria. E o motoqueiro de uma Harley-Davidson, ele é diferente em tudo - o padre Edilberto - nos ofereceu bolacha com suco e partimos...

Na volta, Inácio disse-nos: - Às vezes, meus amigos, diante dos meus medos, receios, quando tudo parece difícil, penso neles que largam tudo para tentar nova vida. Rejeitado por todos, internam-se, sem um parente, amigo e ali ficam por nove meses... Isso é que me faz repensar na vida, o quanto tenho, e quantas vezes sou ingrato!... Ele chorou. Nós também.

Saímos deixando pra trás um Bom Pastor com seu sonho realizado, seus dependentes químicos, colaboradores, voluntários. Deixamos pra trás também um pouquinho de cada um de nós, nossas sujeiras, medos, receios, disputas, e revendo como a vida é bela, boa, gostosa...

Sérgio Belleza
 
Para informações sobre internamento, ou ajuda a instituição, acesse o site www.cotefave.org.br, e-mail: prevenção@cotefave.org.br,

                  fone (77) 3422-9387 / 8108-7763

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A poodle da Dilma


Até não ia escrever. Estou regressando de dez dias dedicados só a ver e comentar filmes, exibidos no Festival de Locarno, uma média de 3 a 4 por dia, sem ter tempo sequer para abrir a Internet. E não seria indelicado a ponto de ligar meu smartphone durante um filme chato, para saber como vai a crise no Brasil, ou o golpe como dizem meus companheiros petistas inconformados com as investigações e prisões decretadas pelo juiz Sérgio Moro.
Na verdade, esse festival de cinema, veio a calhar porque já não estava mais aguentando as justificativas para o Petrolão e os desvios neoliberais do governo. Deve ser influência suíça. Por aqui, não posso jurar que todas as pessoas sejam mais honestas, porém talvez sejam mais comedidas. Tirando-se os banqueiros, na sua maioria receptadores das fortunas vindas dos ditadores africanos, ricaços brasileiros e sulamericanos e de europeus fugindo ao fisco, o pessoal não é “esperto” como se diz aí no meu país, não tem o hábito de meter a mão. E também não é comum se prometer uma coisa e se fazer exatamente o contrário, a ponto do banqueiro do Itaú se ter convertido em apoiador da presidente (lembram-se da Neca?).
Faz três anos, os deputados federais suíços rejeitaram, vejam só que tontos vão dizer meus leitores brasileiros, um projeto para lhes aumentar os salários, talvez por acharem que seria uma afronta ganharem mais quando muita gente está ganhando menos na atual crise. Vi também que os deputados socialistas revertem ao seu partido o total de 40% do que ganham. E é com isso que o PS faz a campanha eleitoral, os socialistas nunca devem ter pensando em meter a mão numa empresa, mista que fosse, para financiar o partido.
Eu já escrevi e nenhum companheiro vai precisar me lembrar, que o debate sobre corrupção é um falso debate, que o combate à corrupção é geralmente um argumento dos partidos de direita para ganharem eleições, pois se trata de um tema capaz de impressionar os eleitores. Porém, não sou obrigado por isso, a fazer vista grossa sobre desvios de somas importantes feitos por companheiros considerados de esquerda, a pretexto de reforçarem o partido dos pobres e trabalhadores, embora uma parte (a carne é fraca!) acabe ficando nos seus próprios bolsos.
Aqui na Europa, embora numa escala menor, também tem havido políticos, de direita e esquerda, metendo a mão, nem sempre para eles mesmos, mas para seus partidos, porém quando apanhados por um juiz rigoroso vão parar na prisão. Com uma diferença, seus partidos não saem xingando o juiz, nem colocam em questão as instituições políticas falando em golpe, mas acatam as sentenças e as condenações.
E os culpados apanhados em flagrante fazem seu mea-culpa, se desculpam e encerram suas carreiras políticas depois de cassados ou presos. Sem isso, a democracia se desmoraliza diante do povo e, infelizmente, é isso o que acontecia no Brasil nos governos anteriores, e agora, se repete. Se temos algum respeito pelo Brasil, não podemos tolerar, muito menos quando são companheiros de esquerda os envolvidos. A ideologia de esquerda tem de ser aplicada com seriedade e rigor, eu pessoalmente não tenho nenhuma obrigação de tentar encobrir ou justificar desvios, sob o pretexto de que iriam ajudar o partido a ficar mais tempo no poder!
Por isso, não entendo que no meu país, onde meus companheiros viviam condenando uma justiça lenta e comprometida, agora esses mesmos companheiros se rebelem contra um juiz por estar decidido a punir todos os responsáveis por um enorme sistema de corrupção e roubo, montado em cima e fazendo sangrar uma de nossas grandes empresas, a ponto de comprometê-la para o futuro! Fica ainda mais incompreensível, quando utilizam a justificativa de que nos governos anteriores também se fazia isso e nunca ninguém foi desmoralizado e condenado. Esse argumento é simplesmente vergonhoso.
E essa constatação não é só minha. Faz alguns dias li uma longa entrevista do frei Beto falando a mesma coisa e, melhor ainda, citando pormenores.
Entretanto, em nome de conquistas feitas (que conquistas? Ao que eu saiba as chamadas reformas estruturais necessárias nunca foram feitas) meus companheiros continuam batendo na tecla de não haver provas, embora prisões e sentenças tenham sido pronunciadas, e de condenarem o uso de delações premiadas (juridicamente legais!), como se preferissem que se fizesse como sempre se fez – botar panos quentes e deixar ficar por isso mesmo, pois na época do FHC não era diferente! Maravilha! É isso que propõem?
Não acredito ser esse o comportamento esperado de nós de esquerda. Pelo menos não o meu!
E qual tem sido o resultado dessa linguagem hipócrita? A deserção popular, porque com essa lógica sofista o povo não entende no que a corrupção de esquerda é melhor que a da direita. E nem eu! Entretanto, as consequências serão desastrosas para a esquerda em geral, porque o povo fará toda a esquerda pagar pelo método petista de financiamento de partido, de campanhas eleitorais e de governo.
Leio nas redes sociais convocações para ser defendido o governo contra as pressões a que vem sendo submetido. Entretanto, se eu estivesse no Brasil, não me veria na rua manifestando em favor de Joaquim Levy ou de Kátia Abreu, ou do agronegócio que continua desmatando e incendiando nossas florestas, expulsando os índios das reservas, protelando a reforma agrária, expulsando os sem teto de prédios de casas desabitados. Nem por quem quer aumentar o tempo para a aposentadoria dos trabalhadores, complica a aposentadoria das viúvas e o seguro dos desempregados. Muito menos por quem favorece os bancos e banqueiros que aumentam suas comissões e ludibriam gente pobre, aumentando cada vez mais seus lucros.
Esse governo de Dilma Rousseff é de esquerda? É socialista? Não me façam rir!
No que vai mudar se Dilma se demitir e entrar o Temer? Em nada. Talvez com a calma advinda, o real se recupere diante do dólar e diminua a inflação. O caminho mais certo, depois desse escândalo da Petrobras, como ocorreria em qualquer país democrático europeu, seria o da demissão de Dilma, reconhecimento do erro pelo PT e prisão para todos os envolvidos. Imaginem o que aconteceria na China!
Não era a presidente a ministra das Minas e Energia, não era ela presidente do Conselho da Petrobras, não era ela ministra da Casa Civil? Os europeus não acreditam na sua inocência, pois se não meteu a mão deixou outros meterem. É o caso de demissão do cargo.
Por que se colocar o Brasil como refém mais três anos e meio? Vamos ser coerentes, enquanto é tempo, para o povo desencantado não cair nos braços da direita. Se Dilma governar aos trancos e barrancos até o fim do mandato nem o Lula conseguirá mais se eleger em 2018.
Ao PT só resta uma solução, dura e drástica – meu xará Falcão precisa assumir terem sido cometidos todos os desmandos e abusos denunciados pela operação Lava Jato; fazer a autocrítica do partido que não cumpriu os objetivos da esquerda e anunciar uma limpeza geral com expulsão de todos os quadros envolvidos.
Dilma também terá de renunciar. Se isso não for feito, se continuarem as justificativas esfarrapadas, que não iludem ninguém, será o fim do PT. Mas com novas lideranças e real preocupação pelas reformas estruturais necessárias ao país, se poderá evitar a catástrofe e se assegurar uma oposição credível ao novo governo até se reconquistar o caminho perdido. Não há outra saída, a cada semana e mês diminui a credibilidade.
E para Dilma será a grande chance de prosseguir suas grandes pedaladas de doze quilômetros de bicicleta, de curtir seu regime e de ficar com sua poodle Prada no colo com lacinho de fita da cor do seu vestido.
E um recado para a presidente, o povo quando tem cachorro é cachorro viralata, bastardo, com a cadela Baleia, das Vidas Secas. Poodle, esse cachorrinho chato, fresco e rosnento, senhora presidente, é gosto dos seus inimigos paneleiros da classe média alta para cima.

Rui Martins, do Direto da Redação. 
Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, pela recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes. Escreveu Dinheiro Sujo da Corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A Rebelião Romântica da Jovem Guarda, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil, e rádios RFI e Deutsche Welle. Editor doDireto da Redação.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Desarmamento - Armas de fogo, culpadas pelo Brasil desamparado?


Há muitos e muitos anos, antes de o Brasil ser o Brasil do século XXI, no século XVII, com o código de lei, Ordenações Filipinas, tem início a restrição aos brasileiros relacionada ao porte de armas – válida só para as colônias de Portugal. Percebe-se que a proibição não é para proteger a vida, mas sim evitar que as colônias se emancipassem. Portanto, cerceamento da liberdade!

Em 1934, Getúlio Vargas proíbe o uso de armas de guerra por empresas privadas. Conhecido como R-105, o decreto causou sérios problemas aos brasileiros que queriam se proteger. Nota-se que nada tem a ver com a segurança pública, mas uma medida arbitrária, própria de um período de exceção ditatorial.  

Castelo Branco, em 1965, com o Decreto 55.649, endurece o controle de armas de fogo. Novamente, um estado não democrático que não visa à segurança pública, mas ao poder de reação da nação.

Em 1997, pela primeira vez um presidente eleito democraticamente, Fernando Henrique Cardoso, apelou para o discurso de reduzir o número de armas de fogo, achando que era a melhor forma de reduzir a violência contra o cidadão de bem! Abriu-se aí uma perigosa porta para o que viria pela frente!...

Em 2003, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, homologa o Estatuto do Desarmamento, Decreto 5.123/2004, proibindo a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional. A “coincidência” alegada pelo governo e todos os defensores é a mesma - que o estatuto é para a segurança pública! Este decreto martelou o último prego no caixão da liberdade e da defesa dos cidadãos de bem do Brasil!

Desde o Brasil colônia até o século XX de Hitler, Stalin, Mao Tsé-Tung, Mussolini, Fidel Castro e tantos outros tiranos, que mataram mais de 200 milhões de seus compatriotas – depois de terem sido desarmadas -, o bandido-assassino ou cidadão de bem que cometem assassinato, comparados a esses déspotas, entende-se quem é a grande ameaça aos direitos do homem!  

A maior falácia desarmamentista é a tentativa de justificar que tudo é em prol da segurança pública. O desarmamento da população é típico de regimes totalitários, como o comunismo, o nazismo, o fascismo, e o socialismo! Todos os governos do mundo sabem que restrições, proibições, promulgações draconianas de armas nunca funcionam e jamais funcionarão no combate ao crime. Hipocrisia!

Estudo publicado pela Universidade de Harvard, USA, revela que países que têm mais armas tendem a ter menos crimes. Os EUA são o número um do mundo em posse de armas, mas está na 28º posição em termos de homicídios. No Reino Unido, apesar das leis rígidas contra armas, a taxa de crimes é quase quatro vezes maior que a dos EUA, apresenta a quarta maior taxa de arrombamento e invasões de residência, e é a segunda em criminalidade de toda União Europeia.

Depois de 12 anos da aprovação do Estatuto do Desarmamento no Brasil, o comércio de armas caiu mais de 90%, entretanto as mortes causadas por armas de fogo subiram mais de 350%. São mais de 60 mil homicídios por ano. Em números absolutos, o Brasil é o país onde mais se mata no mundo! Estudos mostram que o desarmamento é fator potencializador de crimes violentos.

Os “progressistas” ou reacionários desarmamentistas desejam substituir os bons costumes, ética e segurança por palavras de efeito e leis de fácil apelo. Benjamin Franklin disse que, quando todas as armas forem de propriedade do governo e dos bandidos, estes decidiriam de quem são as outras propriedades. A insegurança e o medo continuam!... 

Sérgio Belleza, administrador, empresário, consultor e autor dos livros, Caminhado com Walkyria e Ascensão e Queda de um Império Econômico.

País do político desonesto



Paródia da música do Gilberto Gil, "Sítio do Pica-Pau Amarelo ".


Marmelada de bandido,
bandidagem de malandro,
roubalheira de safados,

País do político desonesto
País do político desonesto

Honestidade ofende, 

Político até parece gente,
Nosso futuro iminente é tão “belo”,

País do político desonesto
País do político desonesto

"O povo não vale nada", 

Esse é o mantra dessa praga,
Vivemos em Pasargada, um universo paralelo,

País do político desonesto
País do político desonesto

Na "terra da putaria", 

Sem ter ideologia,
Desilusão por completo,

País do político desonesto
País do político desonesto

Iuri Barros de Freitas

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O Brinquedo (Crônica baseada em fato real)



A diretora do orfanato estendeu um papel, informando: - Senhor Ranulfo, este é o termo de responsabilidade. Leia e assine. Quero apenas lembrar que a criança deverá ser devolvida amanhã, até às 19 horas, sem falta.

Ele assinou sem ler e olhou para a porta que se abria.

A diretora se dirigiu a um menino de uns cinco anos, trazido até a sala por uma assistente, e disse: - Helinho, você vai passar o fim de semana com o Senhor Ranulfo. Você quer?

O garoto não se mexeu nem disse nada e ela repetiu: - Helinho, você vai passar o fim de semana com o Senhor Ranulfo. Tudo bem?

O garoto continuou de cabeça baixa, mas quando o homem levou a mão em sua direção, ele a agarrou com firmeza.

Saíram em silêncio, após as despedidas.

No carro, Ranulfo perguntou: - Você sabe cantar alguma música?

- Não.

-Então, eu vou ensinar uma pra você. É assim: - Sapo cururu, na beira do rio...

- Essa eu sei!

- Então, eu vou ensinar as que você não sabe. Vamos cantando até o parque. Ciranda, cirandinha, você sabe?

Durante o fim de semana, o homem levou o garoto para brincar, para comprar roupas, brinquedos, lanches, e ainda teve o banho demorado, a cama quentinha, as músicas e os abraços.

No dia seguinte, às 19 horas, levou o menino, feliz com seu tênis colorido, suas roupas novas e os brinquedos, de volta ao orfanato.

E foram assim muitos outros fins de semana e feriados.

Bem maior, em uma das saídas, o garoto estava mais quieto do que de costume, entristecido. Querendo saber o que havia acontecido, o homem foi perguntado coisas, até que veio o questionamento, há muito esperado: - Por que você não me leva pra morar com você?

Ranulfo respondeu: - Eu tenho que trabalhar, viajo muito, não posso deixar você sozinho em casa durante a semana toda.

E o garoto perguntou com um pouco de revolta: - Eu não passo de um brinquedo pra você, né?

Rindo, Ranulfo respondeu: - Sabe aquele carrinho azul que você gosta? Agora, ele está lá, junto dos outros brinquedos, esperando por você para brincar. Mas você não pode ir agora, porque nós vamos ao cinema! Você é meu brinquedo, sim! E eu quero brincar com você sempre que puder, por toda a vida!

A rotina continuou, com idas a festas dos filhos de amigos do homem, a circos, a parques, a pistas de patinação, a livrarias, com revistinhas e álbuns, a eventos esportivos, a eventos culturais de música, teatro, dança.

Muitas vezes, Ranulfo recebia avisos da instituição, informando que o garoto estava doente. Quando não ia de imediato, pedia para um amigo levar remédios, dinheiro ou simplesmente dar um pouco de atenção e carinho.

Tudo entre suspeitas e maledicências de conhecidos!

Passados mais de quarenta anos, um telefonema noturno confirmou a morte de Ranulfo.

Hélio foi ao velório e ficou em vigília a noite inteira, sem dizer uma única palavra, apenas com a cabeça baixa, em profunda tristeza, tocando no corpo algumas vezes.

Na manhã seguinte, pouco antes do sepultamento, ele se despediu do amigo com um afago na cabeça, pegou seu casaco e foi se retirando do local, quando um conhecido perguntou: - Professor Hélio, o Senhor não vai ficar para o enterro?


- Não! Não posso – justificou. Já estou muito atrasado para ir ao encontro do meu brinquedo.

Sérgio Antunes de Freitas

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Alô Bebê: são péssimas a gestão de pessoas e a política no pós-venda!


Como gerir mal pessoas!!! Empresas, nunca tratem seus clientes assim!!! Junto (ao lado de) com seus funcionários, eles são o que a sua empresa tem de mais precioso!!!
O gerente, em um comércio (como é esse caso), é aquele que geri, gerencia, não somente a loja e seus funcionários, mas também, a interlocução entre a política da loja, o funcionário e o cliente. Ele é o responsável pela saúde desta relação. Para ele se relacionar bem, tanto com seus funcionários, como com seus clientes, ele precisa entender de pessoas, e para entender de pessoas, ele precisa saber gerir pessoas... (Iuri Barros de Freitas, estuda Gestão Estratégica de Pessoas e Organizações Sustentáveis - MBA na FUNDACE/USP)


"Faço questão de fazer este post, porque acredito que empresas que não respeitam o consumidor devem SIM ser expostas e criticadas! Sou cliente na Alô Bebê desde a inauguração aqui em Ribeirão Preto e sempre fui muito bem atendida pelas vendedoras, mas na primeira vez que precisei de um atendimento diferenciado me deparei com um enorme despreparo de suas funcionárias responsáveis! Um vestido da minha filha, com duas cores, foi lavado a mão, separadamente e manchou! A tinta da saia manchou o corpo do vestido! Qualquer pessoa com o mínimo de experiência no comércio de roupas veria que a mancha é de fato da tinta do próprio vestido e, prezando a satisfação do cliente e a reputação da loja, trocaria a peça na hora, mas não, a pessoa q me atendeu enviou uma solicitação ao departamento responsável por trocas da loja (Ok! Procedimentos...) e me deu um prazo de (riam!) 30 dias para a resposta se a troca seria liberada ou não! Enfim, depois de uns 20 dias recebo a ligação da loja com a resposta: a troca NÃO foi liberada! Simplesmente o vestido não foi para análise, o departamento que autoriza ou não a troca faz sua análise subjetivamente! E, ainda, a pessoa que me telefonou respondeu com desdém quando disse que não achava certo "se você quiser liga no SAC"! É muita falta de respeito, muito despreparo, falta de autonomia e iniciativa do gerente! Pode ter sido um simples vestido, posso ser somente mais uma cliente, me perder como cliente pode não fazer a mínima falta pra eles, mas, ainda assim, segue meu sentimento de indignação."

Christiane Marques Barros de Freitas