terça-feira, 21 de outubro de 2014

Os emigrantes são antipetistas?


Os resultados do primeiro turno poderiam levar a uma conclusão apressada, pois a presidenta Dilma foi fragorosamente derrotada, nos votos recolhidos das 954 urnas eletrônicas do Exterior. Confirmando uma tendência já registrada em 2006 e 2010, a candidata presidenta só recebeu 18,35% dos votos dos emigrantes, enquanto seus adversários totalizaram 75,52% dos votos, repartidos entre Aécio, 49,51%, e Marina, 26,01%.

Entretanto, concluir pela existência de uma rejeição maciça de Dilma entre os emigrantes seria temerário, pois dos dois milhões e tantos de brasileiros vivendo no Exterior só transferiram ou tiraram títulos eleitorais apenas 354 mil eleitores. E destes só votaram mesmo 141.501 eleitores.

Embora uma notícia divulgada pela Agência Brasil informe ter havido um aumento de 63% no número de votantes com relação a 2010, trata-se de um excesso de otimismo da redatora. Houve, é verdade, um aumento de votantes por ter aumentado o número de emigrantes com títulos novos ou transferidos. Em 2010, eram 200 mil emigrantes com títulos válidos para votar, enquanto no dia 5 de outubro esse total aumentou de 154 mil. Porém, manteve-se em 60% o número de eleitores ausentes.

Na verdade, votaram cerca de 7% do total de emigrantes, não sendo possível se avaliar, com certeza, qual é a preferência dos emigrantes. Entretanto, caso se considere os votos válidos apurados como amostragem do eleitorado emigrante, deve-se reconhecer ser uma consulta muito maior que a colhida nas sondagens.

Tomando-se como referência os últimos encontros e eleições de representantes de emigrantes, dos quais resultaram o Conselho Provisório em 2008 e o Conselho chamado CRBE, em 2010, constata-se que o PT não conseguiu eleger nenhum representante nessas duas eleições, embora sendo o único Partido articulado no Exterior com militantes organizados e fazendo parte de uma federação internacional, a dos Núcleos petistas do exterior.

Nos Estados Unidos é ainda mais marcante a preferência do eleitorado emigrante pelo PSDB, tanto em favor de Alckmin, como de Serra e, desta vez, ainda de forma mais marcante, por Aécio. Sem pesquisa feita, tem-se a impressão de que os 7% de emigrantes votantes são, na grande maioria, pessoas já integradas no país onde vivem, grande parte mesmo binacional. Será que os 93% restantes, incluindo os sem papéis e os emigrantes economicamente mais frágeis, teriam maior identificação com o governo petista ou o fato de viverem em países de política e economia neoliberais influi na opção política dos emigrantes? Sem uma pesquisa não se pode chegar a uma conclusão, exceto a de se considerar essa pequena participação eleitoral já como uma amostra da preferência geral, mas existe o risco de erro, pois não se sabe em que proporção votaram os emigrantes mais pobres.

Em todo caso, o governo que será eleito, ou reeleito, dia 26, deveria se preocupar em dar maior atenção aos emigrantes e facilitar uma maior participação eleitoral. Uma reivindicação geral dos emigrantes é a do voto por correspondência da residência ao Consulado mais próximo, pois quem mora longe e quer votar precisa gastar com transporte, seja trem, ônibus, avião ou gasolina do carro para ir ao Consulado onde estão as urnas eletrônicas.

A Suíça pratica há muitos anos o voto por correspondência, sem ter havido fraudes. É um sistema simples, que funciona pelo Correio, com o uso de sobrecartas para garantir a inviolabilidade do voto. No momento, estão sendo feitos testes para se utilizar o voto pela Internet.

Outra medida que poderia dinamizar a vida política entre os emigrantes, seria a criação da representatividade parlamentar para emigrantes eleitos por emigrantes. O senador Cristovam Buarque tem uma proposta de emenda constitucional a respeito, já aprovada uma vez pelo Senado. Faltam um novo voto senatorial e dois votos na Câmara Federal.

A eleição indireta para o CRBE, embora ideologicamente pareça ter dado a voz às bases, na prática é outra coisa, pois favoreceu os lobbys atuantes no mercado emigrante, como despachantes, advogados, comerciantes e religiosos, sem conseguir despertar o interesse dos próprios emigrantes. Além disso, os chamados Conselhos de Cidadania são dirigidos pelos Consulados locais, retirando toda legitimidade dessa representação local.

Foi o governo de Dilma que modificou o Decreto original de Lula, acabando com o voto direto para o CRBE, e relançando o conceito de Conselho de Cidadãos junto a embaixadas e consulados, criado pelo ex-presidente FHC. Nessa época, o Conselho era formado pelos diretores das empresas brasileiras, convidados pelo cônsul ou embaixador. O atual Conselho de Cidadania quer reunir representantes dos emigrantes, mas falha ao funcionar também na base de convites feitos pelo cônsul.

No caso de uma derrota da presidenta Dilma haverá clima para se rediscutir a questão dos emigrantes, tendo-se em vista que, pelos atuais resultados, o PSDB poderia facilmente eleger deputados emigrantes?

Os Núcleos petistas foram ativos e encaminharam, sem sucesso, ao governo Dilma dois importantes documentos falando em emancipação política e representatividade parlamentar dos emigrantes. Esses documentos defendiam igualmente o voto por correspondência. Talvez o governo não reagiu a esses documentos por ter consciência da fraqueza política do PT no Exterior e de que estaria “fazendo a cama” para a oposição.


O principal entrave a uma evolução da política brasileira da emigração é ter ficado com o Itamaraty a gestão dessa política, com o recebimento de importantes verbas das quais não irá abrir mão tão facilmente. Criou-se assim uma aparente estrutura de conselhos locais, que na verdade ficam sob o controle e tutela dos diplomatas, no contrassenso do aplicado pelos países com experiência emigratória que, faz tempo, têm representantes parlamentares emigrantes e um órgão institucional independente voltado para a comunidade emigrante.

Rui Martins, do Direto da Redação

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Vitória... Mas que vitória?


A tática empregada contra Marina Silva deu certo e ela foi a nocaute. Um nocaute doloroso e humilhante, provocado, na verdade, por golpes baixos. A tropa de choque delirou com a vitória, mas logo se acalmou vendo as expressões do marqueteiro e dos líderes do PT. Houve exagero nos golpes, agora é tarde demais e tudo se complicou.

De volta de Brasília, do glorioso encontro e beija-mão com a chefe, os blogueiros portadores de armas mais letais que a criticada grande imprensa, garantiam uma retumbante vitória – “essa nós vamos levar no primeiro turno”. A certeza eram os primeiros sinais de fraqueza da acriana, balançando no ringue, sem saber como reagir aos golpes duros, fortes e incessantes, no baixo-ventre, no rosto, na cabeça. Dos 45% iniciais, em agosto, ao substituir Eduardo Campos, só restavam 27% e, nos dias que antecediam o primeiro-turno, nem mesmo 25%. O nocaute era iminente e visível.

Com suas mãos magras de dedos finos, ela tentava se segurar nas cordas, enquanto aumentavam os golpes. De nada adiantavam os gritos de incentivo dos índios de Belo Monte e das reservas ameaçadas, nem o movimento das árvores da floresta amazônica como sacudidas pelo vento na vã tentativa de pedir socorro antes da próxima queimada. Vãs também as orações de fiéis evangélicos, pois a corrente tinha sido interrompida pela falta de unidade. Marina tentou se defender no último momento, no último combate pela televisão, mas era tarde demais.

Enquanto era levada carregada cheia de hematomas aos vestiários, corria cerveja entre os espectadores. Essa já era! A tática dera certo, gente magra não tem gordura de proteção.

Mas pelo jeito, a festa não foi muito longe. Quando a CBN cantou os primeiros resultados de boca de urna, havia alguma coisa errada: Aécio não estava no papo como se pensava, 30% contra 40%, eram bem mais e bem menos que os imaginados e noticiados pelas sondagens da grande imprensa. E o resultado final foi ainda mais apertado, nada dos 46 ou 47 esperados contra 28, mas apenas 8% de diferença, um apertado 41,5 contra 33,5%. Para ser claro, vai ser difícil repetir a vitória deste domingo. Não adianta correr ao vestiário com cremes e sorrisos com cara lavada de quem pede desculpas.

Faltou tato? Não, faltou respeito, porque entre os lutadores no ringue existe um código de honra. E mesmo no futebol. Quando a seleção brasileira se entregou em plena Copa do Mundo, os alemães poderiam ter feito dez ou quinze gols, era só querer. Mas não quiseram. Isso faltou à tropa de choque, aos blogueiros, na luta contra Marina, adversária, mas da mesma família, à qual hipoteticamente poderiam precisar pedir apoio, como agora acontece.

Celso Lungaretti, crítico de cinema e também de política, previu, faz alguns dias, com uma rara clarividência, no seu blog Náufrago da Utopia, o erro agora irremediável dos petistas – a campanha de desconstrução e desmoralização de Marina teria seu contraponto, um preço alto a amargar: a falta de apoio de Marina para o segundo turno, em outras palavras, a derrota. Porque não foi só a candidata a atingida pela onda de mentiras e de ofensas, mas todo seu eleitorado. E por que adotaram o mesmo método dos detratores de Lula, que a esses detratores tinha custado a derrota? De onde veio essa inspiração insana da necessidade de destruir Marina, se na verdade o principal inimigo era Aécio?

Os vencedores de ontem estão com a cabeça inchada e o gosto amargo da cevada na boca, mesmo porque no afã de destruir a frágil adversária, do mesmo sangue e do mesmo gene políticos, se descuidaram de São Paulo, onde sofreram um verdadeiro tsunami com perda de deputados federais, estaduais e a perda do senador Suplicy. E se perderem dia 26, tudo se esvanecerá. Na verdade, agiram como aprendizes kamikases.


De onde virão os 8,5% necessários para a vitória? Dos nanicos? Do PSB? De Marina que chegou a ser insultada de agente da CIA, autora do acidente que custou a vida a Eduardo Campos e de ser vendida para os banqueiros? Mas de uma pessoa tão comprometida agora vale o apoio?

Rui Martins, do Direto da Redação

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

E agora Brasil?


Aécio ou Dilma? O brasileiro terá no próximo dia 26 mais uma vez a opção de votar para Presidente. Estamos diante de duas alternativas para mudar ou não a “cara” da nossa pátria. O País está divido, assim como os candidatos, com suas propagandas e “projetos” de campanha. Como avaliar, pensar, refletir e decidir o voto?

O certo mesmo é que a política é movida a dinheiro e poder. Dinheiro compra poder, e o poder talvez seja a arma mais poderosa para se ganhar dinheiro. Nas eleições a maioria dos políticos é com isso que se preocupa! Neste segundo turno, onde estão as verdades e mentiras dos candidatos? A Bíblia diz que “nada se parece tanto com um verdadeiro profeta, como um falso profeta”. Diante do que estamos vivendo no Brasil, percebe-se que nada se parece tanto com um “verdadeiro político”, como um falso político.

O paradoxal nesta eleição é entender por que uma nação como o Brasil – mesmo considerando as bolsas disso, daquilo, analfabetos, corruptos... - pode reeleger uma presidente que tem no seu governo os piores indicativos na saúde, insegurança, violência e criminalidade crescente, baixíssima qualidade educacional, infraestrutura sucateada, pibizinho, baixo desempenho econômico, inflação em progressão, corrupto; escândalos e mais escândalos, propinas e desvio de dinheiro são anunciados diariamente nas empresas estatais, um país em recessão!... Para piorar, além de colocar em risco o Plano Real, a presidente é vaiada em qualquer aparição pública. Que país é esse?  Inacreditável! Enfim...

Os dois candidatos à Presidência do Brasil, Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, e Aécio Neves, candidato pelo PSDB. Resumindo, a presidente Dilma já disse pra que veio e fracassou feio! Aécio Neves é um candidato testado e aprovado, por tudo que foi no Legislativo e pelo que fez no estado de Minas Gerais quando governou. Vamos por parte.

A presidente Dilma, e o seu modelo PTista de governar, depois de 12 anos mandando e desmandando no Brasil, fracassou em todos os sentidos! Os petistas se embriagaram com o poder e destruíram quase tudo de bom que tínhamos! Desde que estão no governo, é evidente o desejo de perpetuar-se no poder; a ideologia ao comunismo deseja transformar um Brasil democrático em uma republiqueta bolivariana. Governos populistas, como não têm programa de governo, adotam e apelam para o discurso do medo, da ameaça a população, por isso enganam e mentem compulsivamente! O Brasil hoje vive uma crise moral, ética, de falta de valores sem precedente! Criou-se no País uma divisão de classes sociais, jogando brasileiros contra brasileiros. Os últimos quatro anos de governo estão entre os piores da história brasileira – sem marca positiva em nenhum setor, muito pelo contrário, paralisou o Brasil!...

Já o PSDB - comandado pelo então ministro e depois presidente, FHC - partido do candidato Aécio, revolucionou e colocou o Brasil nos trilhos ao criar e implantar o Plano Real  estabilizando a economia, acabando com a inflação, dentre outras medidas muito importantes.

O candidato Aécio, economista que iniciou sua carreira política aos 21 anos, em 1983 foi secretário de estado em Minas. Viajou mundo afora com seu avô, Tancredo Neves, o grande democrata e líder das Diretas Já, participando assim desta campanha e da de Tancredo à Presidência do Brasil. Foi diretor da CEF, em 1986 foi eleito deputado federal, reeleito em 1990, 94 e 98 e em 2002 é eleito presidente do PSDB e da Câmara Federal. Neste mesmo ano, eleito governador de Minas Gerais, implanta uma administração moderna e arrojadaa  “Gestão de Choque”. O novo modelo de administração cortou privilégios, secretarias, incentivando e comprometendo todos os funcionários através da “meritocracia...” Reeleito com 73% dos votos, sua aprovação ao deixar o governo do Estado foi de 92%. Aécio e a sua equipe revolucionaram o estado em todos os segmentos. Minas, hoje, navega em águas calmas e tranquilas... É preciso dizer algo mais?

Aécio agora, com a “onda azul” ou “onda da razão”, apresenta-se como o candidato de todos os brasileiros, aquele que vai unir - e não desagregar como tem feito sua adversária – a nação, por ser o único capaz de tirar o Brasil de sua atual frustração!

Sérgio Belleza é administrador, empresário, consultor e autor dos livros, Caminhado com Walkyria e Ascensão e Queda de um Império Econômico.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Ilhéus, cidade perdida...


Conheço e vou a Ilhéus desde os tempos de criança. Passava um mês ou mais das minhas férias, com meus pais, irmãos, tios e primos na Terra do Cacau. A beleza natural e arquitetônica da cidade, os cidadãos, especialmente as “gabrielinhas” - tudo era lindo, alegre, divertido, pura magia! O sol forte iluminava as belas praias, e a cidade contemplava aqueles dias animados, festivos, com muita doçura e felicidade! Passear e paquerar na orla todas as tardes era gostoso, bom demais! O cacau sempre foi fonte de riqueza, daí a Catedral, Convento, casarões, carrões, os apartamentos dos ilheenses não eram em Salvador, mas na Vieira Souto, no Rio de Janeiro! Os fazendeiros de cacau não eram mais “coronéis”, mas como tal, famílias e filhos eram respeitados pela riqueza e poder! Beleza, luxo e opulência imperavam na cidade que mais brilhava na Bahia, e tudo era maravilhoso, e estar, curtir em São Jorge dos Ilhéus era um sonho!

Há anos Ilhéus vem sofrendo com a má administração pública! No mês passado, estive lá duas vezes. Infelizmente para visitar e depois sepultar um querido tio-pai. Mesmo no corre-corre, pude notar a “calamidade” na terra de Jorge Amado. Fiquei boquiaberto quando vi aquela cidade tão linda e famosa à toa! Muito do fausto antigo perdeu-se, prédios, casarões, mansões, praças, jardins. O que existe hoje são ruas sujas e mal conservadas, buraco por toda a parte, um caos! A orla na Av. Soares Lopes, que era o local predileto de todos, especialmente dos jovens, é hoje uma avenida sem vida, feia e desprezível. Porque a praia foi aterrada para modernização e..., e, como sempre, ficou no papel! Ilhéus não tem cemitério para sepultar seus cidadãos, porque tá lotado - dentre todos os absurdos, este é o maior.  Presenciei! Percebe-se, portanto, que Ilhéus não tem administração, que seu “comando” é enganação, desleixo, incompetência, falta de compromisso com o povo, com uma cidade tão importante para a Bahia e o Brasil – que, com Porto Seguro são as duas mais famosas cidades do interior da Bahia, possivelmente do Brasil, divulgadas pelos livros de Jorge Amado, ganharam fama mundo afora. E também nas novelas que a TV Globo levou ao ar e no cinema, todas inspiradas na obra do “Amado” da cidade.

Ilhéus é linda por natureza. Caracteriza-se pela presença da lavoura cacaueira e da Mata Atlântica! Quilômetros de praias belas, exuberante fauna, ilhas, rios, grutas, lagos, cachoeiras... Tem vasta rede hoteleira, resorts, Ilha de Comandatuba, Olivença, aeroporto, porto; tem o Vesúvio, Bataclã, Teatro Municipal, Casa de Cultura Jorge Amado, bares, restaurantes... A terra de Gabriela fica a 40 minutos de avião para Salvador. Mais ou menos uma hora e meia para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte... A BR 101 passa em Itabuna, que fica a 32 km de Ilhéus. A 95 km está Itacaré, uma das cidades mais visitadas atualmente no Brasil. Fica a172 km de Itapetinga, 205 de Jequié, 262 de Vitória da Conquista e 302 km de Porto Seguro, cidades relativamente grandes, turísticas e economicamente fortes. Ilhéus é o centro nervoso da Bahia e do Brasil, e tudo converge para uma das cidades mais lindas e famosas do Brasil. Ilhéus está para o Rio de Janeiro como Itabuna para São Paulo, dizia minha mãe. Uma, linda e turística, a outra, ágil e hábil para o comércio. Ilhéus poderia ser a nossa Mônaco, pelas características, formosura e uma baía abençoada! Então, por que a cidade parou? Ilhéus não só parou no tempo! Andou pra trás! Temos que perguntar aos prefeitos, vereadores, deputados, governos... Atual prefeito, governo... Triste Bahia! Triste Brasil!

O cacau era conhecido como “fruto de ouro”. Ilhéus era ouro puro! Sei perfeitamente que este texto não vai influenciar governantes, políticos, os “coronéis” da atualidade, porque todos sabem como eles agem e procedem! Todavia, espero de alguma forma poder passar para o leitor o fascínio que Ilhéus ainda reserva, suas histórias, símbolo dos tempos áureos do cacau, riqueza, poder e da ostentação. Mesmo com todas essas mazelas, estar em Ilhéus é, e sempre será, fonte de alegria, prazer e grata satisfação. Ah que maravilha curtir a cidade do Coronel Ramiro, Tonico Bastos, Gabriela, Sr. Nacib, Maria Machadão, Gerusa, Mundinho, Sinhazinha...! JK, FHC, “siglas” de grandes estadistas que revolucionaram o Brasil. Roga a Deus não demore muito para surgir no Brasil outro estadista para resgatar o Brasil, Ilhéus... 

Sérgio Belleza é administrador, empresário, consultor e autor dos livros, Caminhado com Walkyria e Ascensão e Queda de um Império Econômico.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Porque decidi votar em Marina e lutar por ela


A partir de hoje, estamos entrando num momento histórico, envolvendo a política e o povo brasileiros que logo vai votar. Momento tão importante como foi, há doze anos, a eleição do sindicalista metalúrgico Lula para a Presidência, levando a Brasília um verdadeiro representante do povo.

O caminho aberto diminuiu a injustiça e as desigualdades sociais. Criaram-se bases para se resgatar a triste herança dos séculos de escravidão e de se iniciar o processo para se acabar com as consequências do outro século de semiescravidão no qual viviam e ainda vivem milhões de descendentes dos escravos.

O Brasil mudou com Lula e isso é visível e todos nós sentimos. Porém ninguém pode assumir sozinho a solução de tantos problemas, que se foram avolumando em tantos séculos de governos dirigidos por elites. Ainda restam áreas não solucionadas, surgiram também divergências, foram feitos compromissos, que atrasam ou comprometem os sonhos das novas gerações de um Brasil mais justo e menos desigual.

Muitos esperavam o retorno de Lula, para restituir a confiança e acertar as arestas do que foi mal concluído ou ficou por fazer. A opção de Lula de não retornar irá perpetuar, na memória de todos nós, a imagem do pioneiro e desbravador, mas sua ausência não pode ser substituída por delegação.

Sem Lula, todos nós de esquerda que o apoiamos mesmo tantas vezes criticando, temos a liberdade de optar de nos lançarmos na busca de uma outra opção, que favoreça ainda outros excluídos, reformule e renove a maneira de se fazer política e permita se abrir um novo caminho, sem manter compromissos com as figuras corruptas que conseguiram sobreviver, e mesmo pactuar, com estes doze anos de lulismo.

Chegou a hora de mudar porque o tempo pode desviar os melhores projetos. Existe um clima geral de insatisfação e de falta de rumo, que só poderá ser preenchido com novas metas, novos desafios, novas pessoas, mesmo que sejam sonhos ou utopias. Estávamos quase habituados a calar no peito nossas decepções, pois afinal somos humanos e imperfeitos, mas ninguém pode nos impedir de reacender a chama de novas esperanças e de novas metas, na verdade as velhas esperanças e velhas metas das reformas de base, que nos foram roubadas pelo Golpe de 64.

A maioria dessas Reformas não foi feita e o Brasil cresceu dentro do modelo neoliberal do incentivo ao consumo, que retirou da miséria 30 milhões, essa é, porém, uma solução de efeitos temporários que não pode ser aplicada indefinidamente. O crescimento intensivo tem provocado a monocultura da soja, a pecuária extensiva e o desmatamento de nossas florestas, sem ter sido feita a esperada reforma agrária, se aceitando a pressão da Montsanto que nos impôs os cereais OGM, mesmo quando nossos parceiros comerciais europeus nos preferiam sem OGM. Sem se falar nas pressões do agronegócio sobre as terras indígenas, invasões, tentativas de remarcações das reservas, em nome de uma agricultura desenfreada, que não garante a necessidades das populações locais, mas voltada apenas para a exportação.

O crescimento sustentável é a grande Revolução do futuro, ainda mais num Brasil que dispõe de água, sol e ventos para fazerem funcionar suas turbinas. Os países que evoluírem para as energias alternativas serão os grandes países do amanhã e ajudarão a criar o planeta mais justo no futuro, no qual todos poderão comer sem as injunções atuais dos mercados.

Precisamos repensar a política, precisamos repensar a economia, saber o que realmente é essencial, para que as populações com o crescimento da robotização não sejam condenadas ao desemprego, e tenham, isso sim, uma vida mais plena.

Por isso, decidi votar e lutar por Marina Silva. Porque ela nos traz novos desafios e nos obrigará a novas soluções políticas e mesmo econômicas. E todo esforço é sempre sadio.

Esta não é uma declaração de ruptura aos petistas, muito menos aos lulistas, mesmo porque talvez sejamos chamados a nos reunirmos num segundo turno.
Aproveito para apelar aos brasileiros do exterior, emigrantes como eu, para votarem também em Marina. Somos mais de meio milhão de eleitores e, num pleito de resultados apertados, eles poderão mostrar sua importância dando os votos decisivos.

Faz alguns anos, batalhamos juntos em favor dos Brasileirinhos Apátridas, pois os filhos dos emigrantes brasileiros seriam apátridas, não fosse a campanha iniciada ainda no fim do século passado, da qual resultou a Proposta de Emenda Constitucional 172/00, transformada em setembro de 2007, na Emenda Constitucional 54/07, restituindo a nacionalidade brasileira nata aos filhos dos emigrantes, graças ao senador Lúcio Alcântara e deputados Carlito Merss e Rita Camata, de partidos diferentes, num momento importante de consenso em favor dos filhos da emigração.

É hora de nos unirmos outra vez, mesmo porque, apesar de nossos insistentes apelos em favor de uma verdadeira política de emigração, tivemos a frustração de ver ignoradas as reivindicações constantes do encontro do PT Internacional em Havana, a Carta de Havana, e do Documento dos Núcleos Petistas do Exterior, nos quais se pedia (inclusive com minha participação) a emancipação política dos emigrantes, atualmente sujeitos à tutela dos diplomatas e dos lobbys de despachantes, advogados e religiosos, a representatividade parlamentar dos emigrantes e o voto por correspondência para os emigrantes.

Eleito duas vezes, por emigrantes da região Europa, para um Conselho de Representantes dos Emigrantes, reclamei sem sucesso a criação de uma Comissão de Transição, com representantes dos Ministérios, órgãos ligados à emigração, que pudesse indicar a melhor solução institucional para uma real política de emigração. Deixo essa ideia para a futura equipe de Marina.

E, enfim, apelo aos companheiros que lutaram comigo pela não extradição do italiano Cesare Battisti, a participarem desta nova luta. Tenho certeza de que vivemos um momento histórico.

Rui Martins, do Direto da Redação.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A crise hídrica em São Paulo


Contra fatos não há argumentos. O que acontece atualmente com relação ao desabastecimento de água em São Paulo se enquadra na retórica de que uma mentira repetida muitas vezes acaba virando verdade.

O governo paulista insiste em negar que se as obras necessárias tivessem sido realizadas poderia ser menos dramática a atual situação. E insiste ainda em responsabilizar São Pedro pelo caos evidente. A culpa não é da seca! A seca é parte do problema, pois desde sempre se soube que ela poderia vir.

Os gestores públicos também negam que existe racionamento, afirmando que o abastecimento de água está garantido até março de 2015, apesar de, na prática, o racionamento existir oficialmente em dezenas de municípios.

Em visita ao interior de São Paulo, no inicio de agosto, pude constatar uma situação que ainda não tinha me dado conta. A gravidade da crise hídrica atinge não apenas a região metropolitana da capital, como a imprensa dá a entender ao enfatizar o colapso do sistema Cantareira, mas atinge todo o Estado mais rico da União.

Dos 645 municípios paulistas, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) é responsável por fornecer água a 364, quem somam um total de 27,7 milhões de pessoas. Nos outros 281 municípios (não abastecidos pela Companhia), o abastecimento de água a 16 milhões de pessoas fica a cargo das próprias prefeituras ou de empresas por elas contratadas.

Se, por um lado, a companhia estadual de abastecimento nega haver adotado rodízio de água em qualquer um dos municípios atendidos por ela, inclusive na capital, tal afirmação é logo desmentida pelos usuários que relatam interrupções no abastecimento, principalmente à noite.

Nos municípios não atendidos pela Sabesp, medidas restritivas estão sendo tomadas por centenas de empresas e gestores locais devido à crise. Em Guarulhos, na grande São Paulo, o abastecimento de 1,3 milhões de moradores é atendido por um serviço municipal, o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), e seus moradores passam sem água um em cada dois dias.   

Em 18 municípios, cerca de 2,1 milhões de pessoas estão submetidas ao racionamento oficial no estado de São Paulo, correspondendo a 5% da população total, segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo (11/Ago). Além do racionamento, medidas de incentivo à economia de água têm sido adotadas, indo desde multas para reprimir o desperdício a campanhas com rifas de carro e TV para quem poupar e reduzir o consumo voluntariamente.

O que chama a atenção de todos, além da dimensão estadual da crise hídrica em São Paulo, é a insistência dos gestores em negar a existência do racionamento na área de atuação da Sabesp – mesmo contestados pelos moradores, que sofrem na prática com o rodízio provocado pela companhia, com cortes crescentes no fornecimento de água.

A contrapartida do poder é a ação responsável. E o governo paulista tem se mostrado irresponsável com o seu povo, além de incompetente e medíocre para resolver questões básicas para a sua população. É hora de assumir a gravidade da situação e dos erros cometidos, e, naturalmente, fazer as obras urgentes e necessárias para garantir o fornecimento seguro deste bem fundamental à vida.

Chega de hipocrisia, chega de culpar São Pedro que não pode se defender.

Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco